Cadeira 06
Patrono
O professor Antônio Martins de Araújo é considerado o primeiro poeta de Ponta Grossa e está entre os primeiros do Paraná. Nasceu em Ponta Grossa, Paraná, em 12 de agosto de 1846, sendo um dos onze filhos de Francisco Martins de Araújo e Gertrudes de Mascarenhas Martins. Fez os seus primeiros estudos no Collegio do Lageado do Campo Largo de Sorocaba, escola que funcionava em regime de internato e era reconhecida por suas austeridade e qualidade de ensino. Era comum que alguns de seus alunos, daí seguissem para estudar na Escola Superior de Direito em São Paulo, assim aconteceu com Antônio Martins de Araújo, no entanto, não chegou a se diplomar.
De volta ao Paraná, em 1868, prestou concurso, foi aprovado para professor das primeiras letras em Ponta Grossa. Foi nomeado professor da primeira escola primária criada em Ponta Grossa por Agostinho Martins Colares, e lecionou ao lado de Alzira Braga dos Santos Ribas, O dedicado professor e taquígrafo foi poeta dedicado. Casou-se com Honorata de Souza e foi pai de Nestor, Honorina, Julieta, Aurora, Haydée e Raul.
Seus poemas, publicados em jornais da época, são compostos por versos profundamente enraizados no romantismo brasileiro, fato que efetivamente revela as suas leituras preferidas. Os elementos bucólicos e nacionalistas que caracterizam boa parte da literatura do século XIX estão bem presentes. Com seu lirismo introspectivo e valorização das paisagens do Paraná (Campos Gerais, Curitiba, Guarapuava), Antônio Martins de Araújo convida o leitor a uma contemplação poética que mescla sentimentos pessoais, natureza exuberante e momentos históricos.
Por seus reconhecidos méritos, escreveu poesias muito inspiradas, com as quais contribuiu em vários periódicos de seu tempo: Dezenove de Dezembro, O Dia, Gazeta Paranaense, A República... Suas poesias foram reunidas e publicadas postumamente por seu filho mais velho, Nestor, e seu genro, Agrícola de Campos Salles, em 1898, em São Paulo, no livro Vozes Campestres.
Por conta da posição política na Revolução Federalista, foi exonerado “a bem do serviço público”, apontado em delações irresponsáveis, depois de muitos anos no magistério paranaense, não sem antes amargar cerca de três meses de cárcere. Após as provações e torturas sofridas, foi forçado a emigrar para o Estado de São Paulo com sua numerosa família. Em São Paulo, amargurado e desiludido, “minado pelo desgosto”, conforme registra Rodrigo Junior, veio a falecer poucos meses depois, no dia 27 de fevereiro de 1895, em plena sala de aula, onde lecionava, em uma escola católica do Círculo de Nossa Senhora da Consolação (O Apóstolo – Periódico religioso, moral e doutrinário, consagrado aos interesses da religião e da sociedade. Rio de Janeiro, 20 de março de 1826. p. 2-3).
Recebeu a homenagem do município de Curitiba, com a denominação de rua Antônio Martins de Araújo, proposta pelo Vereador curitibano Myltho Anselmo, conforme registro no jornal “Diário do Paraná”, edição 419 de 1956. (Acervo da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Acesso em 16 maio 2024.)
Luísa Cristina dos Santos Fontes